terça-feira, 30 de agosto de 2011

Os sábios não julgam...



            Havia  em uma aldeia um velho muito pobre, mas até reis o invejavam, pois ele tinha um belíssimo cavalo branco... Reis ofereciam quantias fabulosas pelo garanhão, mas o homem dizia: Este animal não é um cavalo para mim; é uma pessoa. E como se pode vender uma pessoa, um amigo? O homem era pobre, mas jamais vendeu o cavalo. Numa manhã, descobriu que o cavalo não estava na cocheira. A aldeia inteira se reuniu e disseram:
- Seu velho estúpido! Sabíamos que um dia o cavalo seria roubado. Teria sido melhor vende-lo. Que desgraça!
O velho disse:
- Não cheguem a tanto. Simplesmente digam que o cavalo não está na cocheira. Este é o fato, o resto é julgamento. Se trata-se de uma desgraça ou de um benção, não sei, porque este é apenas um julgamento. Quem pode saber o que vai se seguir?
As pessoas riram do velho. Elas sempre pensaram que ele era um pouco louco. Mas, quinze dias depois, de repente, numa noite, o garanhão voltou. Não havia sido roubado, havia fugido para a floresta. E não apenas isso: ele trouxera uma dúzia de cavalos selvagens consigo.
Novamente as pessoas se reuniram e disseram:
- Velho você estava certo! Não se trata de uma desgraça, na verdade provou ser uma bênção.
O velho disse:
- Vocês estão se adiantando mais uma vez. Apenas digam que o cavalo está de volta... Quem sabe se é uma bênção ou não? Este é apenas um fragmento. Você lê apenas uma única palavra de uma sentença – como pode julgar todo o livro? Desta vez, as pessoas não podiam dizer muito, mas interiormente achavam que o velho estava errado. Doze lindos cavalos tinham vindo...
O velho tinha um único filho, que começou a treinar os cavalos selvagens. Apenas uma semana mais tarde o filho caiu de um cavalo e fraturou as pernas. As pessoas se reuniram e mais uma vez julgaram. Elas disseram:
- Você tinha razão novamente, foi uma desgraça. Seu único filho perdeu o uso das pernas, e ele era o arrimo de sua velhice. Agora você está mais pobre do que nunca.
O velho disse:
 - Vocês estão obcecados por julgamento. Não se adiantem tanto. Digam somente que meu filho fraturou as pernas. Ninguém sabe se isso é uma desgraça ou uma bênção. A vida vem em fragmentos, mais que isso nunca é dado. Aconteceu que depois de algumas semanas o país entrou em guerra e todos os jovens da aldeia foram forçados a se alistar. Somente o filho do velho foi deixado para trás, pois se recuperava das fraturas. A cidade inteira estava chorando, lamentando porque aquela era uma luta perdida e sabiam que a maior parte dos jovens jamais voltaria. Então eles vieram até o velho e disseram:
- você tinha razão velho, aquilo se revelou uma bênção. Seu filho pode estar aleijado, mas está com você. E nossos filhos foram-se para sempre...
O velho disse: - Vocês continuam julgando. Ninguém sabe! Digam apenas que seus filhos foram obrigados a entrar para o exército e que o meu filho não foi. Mas somente Deus sabe se isto é uma bênção ou uma desgraça. Não julguem porque desta maneira retardarão a sua união com a Divindade. Vocês ficarão obcecados com fragmentos, pularão para as conclusões a partir de coisas pequenas. Quando alguém julga deixa de crescer. O julgamento significa um estado mental estagnado. E a mente deseja julgar porque estar em um processo é sempre arriscado e desconfortável. Na verdade a jornada nunca chega ao fim. Um caminho termina e outro começa; uma porta se fecha e outra se abre. Quando você atinge um pico sempre existirá outro ainda mais alto. Aqueles que não julgam estão satisfeitos simplesmente em viver o momento presente e nele crescer... Somente estes são capazes de caminhar com Deus.

                                                             Autor desconhecido.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

As Armadilhas do Astral

Ontem fizemos um trabalho mágicko com o objetivo ajudar uma pessoa que estava sendo vítima de um trabalho de magia que fora feito contra ela. 
Esta pessoa se sentia mal, via vultos que atormentavam a sua família e estava com o casamento praticamente destruído.
A pessoa em questão viera acompanhada de seu irmão que por ter que voltar dirigindo resolveu não participar do ritual que foi deverás cansativo. 
Porém ontem nosso ajudante noturno estava gripado e não pode nos ajudar. Então antes de subirmos para o templo, fechamos todas as portas e selamos o ambiente como de costume. Avisamos o rapaz que não devia abrir as portas. E ele ficou tranquilo, recostado no sofá lendo uma revista.
Aconteceu que, durante o ritual, se manifestou uma das entidades que estava atacando a família da moça, e esta entidade demoníaca não queria se afastar. Tentou de todas as formas nos enganar. Enquanto ela se manifestava ouvimos a campainha tocar. Mas quem poderia estar tocando a campainha aquela hora? Pensei que talvez o rapaz tivesse saído e desejasse entrar, mas a irmã achou muito improvável que ele desrespeitasse nossas recomendações. Minha filha não poderia ser, ela sabe que não pode interromper os rituais. Ficamos no dilema, porque não podíamos sair do círculo. E demos continuidade ao trabalho, que era o mais certo a fazer naquele momento.
Portanto, eu, como mãe fiquei preocupada com meus filhos. Se por acaso minha filha tivesse ido até lá, seria por um motivo muito grave. Então na primeira oportunidade que tive após despacharmos a entidade para outro lugar, fui verificar com o irmão da moça se estava tudo bem. Ele confirmou que sim, e quando lhe perguntei sobre a campainha, como ele havia feito, porque não podia abrir a porta, ele respondeu simplesmente:
- A campainha não tocou.
Só que dentro do templo todos nós ouvimos a campainha tocar. Este foi um meio que a entidade se utilizou para nos distrair e escapar, ou quem sabe tentar tomar o corpo de um de nós se deixassemos os o círculo mágicko.
Isso parece inofensivo perto das coisas agressivas que já enfrentamos. Mas é bom relatar porque às vezes uma distração pode acarretar consequências terríveis num ritual. É claro que a entidade queria que saíssemos do círculo, e se a moça saísse? Poderia ter se machucado.
Mas enfim tudo ficou bem, conseguimos vencer todas as entidades que se apresentaram, conseguimos fazer a materialização do feitiço que haviam feito contra ela, inclusive com a foto dela e ao partir ela estava se sentindo bem, sem dores pelo corpo e a barriga que estava inchadíssima quando chegou, muchou completamente.
É uma recompensa para nós ver como as pessoas saem daqui após o trabalho. Daria para fazer um programa daqueles que tira foto da pessoa antes e depois. A melhora é visível no rosto e no corpo da pessoa. Geralmente elas saem daqui com toneladas a menos sobre as costas!



Sobre Ressurreição

Todos os Grandes Iniciados ou Avatáres, mesmo que disfarçadamente, possuem circunstâncias idênticas em suas vidas e na misticidade que as cercam. Os antigos sempre representaram seus reis, deuses ou heróis ou mesmo aqueles que tivessem no dom da palavra, o dom de cativar
multidões, como Salvadores Divinos. Todos são tentados, perseguidos e matam sua personalidade física ou em seu ego inferior, para após enfrentarem os reinos da tentação, do desejo e da matéria e descerem literalmente ao inferno (abismo), ressurgem para a sua Ressureição Espiritual, voltando glorificados como deuses, tendo assimilados para si a condição de Chrestos ou Cristo(Ungido). Se tornam então um dos Magus ou avatáres daquele determinado Aeon de tempo.
Assim é importante compreender a grande maioria dos sentidos alegóricos que se encerram a grande maioria das Escrituras Sagradas.
Existe entretanto alguns mistérios que cercam o limiar entre a vida e a morte que a grande maioria desconhece as causas e os efeitos. É comum ter-se ouvido falar de casos de pacientes terminais em que "milagrosamente" são curados. Isto tudo é muito bem explicado a luz do esoterismo e das Ciências Arcanas.
M. Blavatsky conta uma interessante passagem enquanto conviveu num mosteiro do Tibet. Eles realizaram um experimento impregnando um cadáver em estágio avançado de decomposição com um elemental,fazendo-o ressucitar por um determinado tempo.
No livro da Magia de Abramelin, Abraham o judeu conta um episódio em que ressuscitou um membro da nobreza prolongando sua existência física por mais sete anos, segundo ele tempo limite para a realização No caso, por exemplo, da crônica de Jesus da Via Crucis ao Gólgota, está enxertada com a realidade do final da trilha evolutiva da alma humana pela vida material (a cruz)em que o espírito está crucificado por muitas encarnações neste Mundo(Gólgota).Nos "3 dias do sepulcro" (três ciclos indeterminados de tempo evolutivo de cada alma) o Jesus material é desmaterializado, e rematerializado em corpo etérico sublimado, "angélico", ou segundo o Apóstolo Paulo "corpo glorioso" em demanda dos Céus ditosos, ou casas do Pai.
Paulo, e não o personagem histórico(ou simbólico), foi o verdadeiro fundador do cristianismo, e o termo cristãos advém da Antióquia que até então eram apenas chamados de Nazarenos. Para Paulo, Cristo não é uma personalidade e sim uma idéia. Pois se o ser humano está em Cristo, isto verdadeiramente falando, significa que ele morreu para ressuscitar como Chrestos triunfante e glorioso. Matar a porção do ego que o prende as coisas mundanas e libertar-se para as aspirações divinas é o dever de todo Iniciado. Neste caso suas conquistas físicas nada mais são do que conseqüências e não o objetivo final de sua vida, cuja concepção é transitória.

Nosso alerta é para os perigos da Idolatria religiosa a ponto de se acreditar que um dia existiu um ser único e privilegiado dos demais. Isto contradiz toda a Ciência Hermética e Cabalista. Os homens ungidos existiram e continuam a existir até nos dias atuais como disse Motta em Carta para um Maçon. Se você estudar minuciosamente o Antigo Testamento e o Novo Testamento verá que o desenvolvimento de um e de outro são proporcionais as fundações de Templos, em relação aos equinócios e solistícios, isto significa que o Novo Testamento foi escrito baseado nesses movimentos, analise, que a ressureição (equinócio da primavera no hemisfério norte) tem o seu significado místico quando o Sol renova a vida na terra após o inverno (morte). O nome Jesus entre os muitos significados atribuídos, significa em hebreu "Sol no céu", isto se pode pode confirmar. Assim percebe-se um tom alegórico minuciosamente estudado a dar vida ao personagem "histórico".

A Cruz sempre significou desde os primórdios o homem com os braços estendidos horizontalmente, símbolo de sua Origem cósmica. A manifestação é o três(como disse acima), na cruz o quatro, que somados 4+3=7, o setenário  mágico onde o Sol é Manifestação do sétimo princípio, enquanto o quarto princípio é a Lua, saturada pelos vícios e degradações do corpo grosseiro ou físico, a Terra, cuja função de Iluminação advém do reflexo do brilho do Sol. Assim O Sol, a Lua e os sete planetas são a base dos mistérios da Iniciação; ou ainda 4x3=12, simbologia alegórica dos doze apóstolos, as doze provas da Iniciação, doze provas de hércules, doze signos do zodíaco. Assim a nós Ocultistas é perfeitamente compreensível a alegoria mística de qualquer religião.

Basta que se conheça os princípios. O que me surpreende é o desconhecimento de alguns estudiosos que se recusam a abrir os olhos no que se refere as verdadeiras intenções da Igreja de Constantino. A cruz é um simbolismo da vida eterna, compreendido pelos egípcios. No próprio estandarte da Igreja de Constantino vê-se o emblema de "Dan Escorpião", o P com o X embaixo, ou seja, um crânio com dois ossos cruzados ambaixo, símbolo da vida e morte, ou a necessidade das diversas vidas(existências físicas) e mortes, para a evolução da corrente da vida. Este o verdadeiro sentido da Ressureição, ou da Reencarnação se preferir. Então porque a Igreja negar a possibilidade da Reencarnação, porque coibir a todo custo tudo aquilo que significa progresso. Aos espíritas e demais espiritualistas que adotam a doutrina de Constantino, assimilam para si partes dos ingredientes nocivos e disformes do Egrégora criado por esta religião sobrenatural, que em nada colaborou para emancipação do espírito humano até o presente momento.

Não há necessidade real para se tomar um mito com padrões de idolatria. Beijar estátuas de gesso ou de madeira, idolatrar imagens distorcidas em vidros são atos de idolatria absolutamente dispensáveis. Ora, Jesus simbólico oferece as mesmas possibilidades doutrinárias que Sidarta (Buda), Krishna, Apolônio, Platão ou quiçá os escritos de Jâmblico sobre a vida de Pitágoras. Todos estes foram verdadeiros Iniciados, cuja história fora devidamente retratada. Todos esses tiveram em seus objetivos a emancipação da humanidade, mas que não necessitam de idolatria e muito menos de serem cultuados em sua filosofia eclética e Universal. (A palavra Católica para quem não sabe, significa Universal, palavra infelizmente amplamente distorcida.) 

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Memória Distante - exercício





Acenda uma vela branca numa sala escura e deixe-a numa posição de modo que ilumine seu rosto diante do espelho (Magico, previamente consagrado), mas sem refleti-lo e diga o seguinte:

Oráculo de luz lunar
Envie-me agora a segunda visão.

Olhe nos olhos de seu reflexo, ou logo no centro e acima deles. Gradualmente seu reflexo irá desaparecer e você  verá outro rosto. É o de uma vida passada. Será inconfundivelmente familiar à voce. Com a prática pode-se utilizar esta técnica para descobrir diversas coisas sobre vidas passadas. Tente sintonizar-se com o rosto. Tente ver o resto do corpo, vestes, joias, cenários, qualquer coisa que te ajude a determinar  o local e o período. A mera visão do rosto pode causar reações emocionais inesperadas  dentro de você. Preste atenção à elas e voce poderá começar a se lembrar de pessoas e eventos que estiveram trancados em sua memória distante. Às vezes surte melhor efeito quando realizado em semi-escuridão, a juste a quantidade de luz que ilumina seu rosto até obter os resultados desejados.

domingo, 21 de agosto de 2011

Iniciação






Iniciação 

Por Fernando Pessoa 


Não dormes sob os ciprestes

Pois não há sono no mundo.



O Corpo é a sombra das vestes

Que encobrem teu ser profundo.


Vem a noite, que é a morte,

E a sombra acabou sem ser,

Vais na noite só recorte,

Igual a ti sem querer.


Mas na Estalagem do Assombro

Tiram-te os Anjos a capa.

Segues sem capa no ombro,

Com o pouco que te tapa.


Então os Arcanjos da Estrada

Despem-te e deixam-te nú.

Não tens vestes, não tens nada:

Tens só teu corpo, que és tu.


Por fim, na funda caverna,

Os deuses despem-te mais.

Teu corpo cessa, alma externa,

Mas vês que são teus iguais.


A sombra das tuas vestes

Ficou entre nós na sorte.

Não estás morto, entre ciprestes.


Neófito, não há morte.